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PACIENTES COM SÍNDROME DE DOWN: O CROMOSSOMO DO AMOR!

A Síndrome de Down não é uma doença, se caracteriza por uma alteração genética produzida pela presença de um cromossomo a mais no par 21. Os portadores dessa síndrome devem ter o mesmo tratamento de qualquer outra pessoa sem a síndrome, mas com atenção especial para alguns fatores.

Qual a idade ideal para que seja iniciado o tratamento odontológico no paciente com Síndrome de Down ?

A primeira abordagem em Odontologia deve ser feita, em idade de bebê, obrigatoriamente antes dos 6 meses de vida, para que se faça diagnósticos precoces e se trabalhe de maneira preventiva evitando complicações futuras.

Quais são as principais alterações sistêmica que podem interferir na saúde bucal do paciente com a Síndrome de Down ?

O hipotireoidismo, o diabetes mellitus, a hepatite crônica ativa são alguns exemplos de patologias autoimunes, cuja incidência está aumentada nos pacientes com síndrome de Down podendo interferir na saúde geral assim como na saúde bucal, sendo fundamental o diagnóstico precoce para que sejam intensificados os cuidados com a saúde bucal do paciente.

Quais são as manifestações orais mais apresentadas pelos pacientes portadores da síndrome de Down?

As manifestações orais na síndrome de Down incluem: mandíbula e cavidade bucal pequena, palato estreito alto e ogival, macroglossia relativa e língua geográfica. É comum a postura da língua aberta, devido a uma nasofaringe estreita, tonsilas e adenoide hipertrofiada. A protrusão da língua e a respiração bucal frequente resultam em secura e fissura dos lábios.

Na região das comissuras labiais, podemos observar a presença de queilite angular, devido à dificuldade do indivíduo em fechar a boca. A dentição apresenta anomalias características, e a doença periodontal é prevalente. Dentre as anomalias dentais, as mais frequentes referem-se à oligodontia, microdontia, hipodontia, fusão e taurodontia.

A hipodontia ocorre nas duas dentições e a microdontia é a mais prevalecente das alterações observadas. As anomalias dentárias de desenvolvimento, como as malformações coronárias e radiculares, também são comuns. Desarmonias oclusais, mordidas cruzadas posteriores, apertognatia e apinhamento pronunciado dos dentes são habituais nestes pacientes.

Como a gengivite e a periodontite são doenças que acometem com maior prevalência o paciente com Down, o que fazer para que sejam evitadas ?

O fundamental é o acompanhamento periódico com o profissional especialista denominado Periodontista, que deverá realizar os procedimentos clínicos adequados(raspagens, profilaxias e técnicas de escovação) assim como definir a periodicidade para o retorno de manutenção para o tratamento.

Como posso saber se a criança com Down está com gengivite ou periodontite ?

Um sinal que é determinante é o sangramento que pode ser ao escovar, ao se alimentar ou mesmo espontâneo. Nesses casos precisa levar com urgência ao dentista.

Os pacientes com síndrome de Down normalmente apresentam algum tipo de alteração na composição salivar que pode influenciar na saúde bucal geral?

Sim, o fluxo salivar de pacientes com síndrome de Down é, em média, 50% menor do que em pacientes sem a síndrome. Esta redução está vinculada, preferencialmente, ao metabolismo da glândula parótida, onde pela hipossalivação podem ficar mais suscetíveis a algumas doenças bucais, sendo importante avaliação profissional para definir a possível necessidade de saliva artificial.

Pacientes com a síndrome de Down pode utilizar aparelhos ortodônticos ?

Sim, e devem pois um dos fatores que acometem com assiduidade os pacientes com a síndrome de Down são os apinhamentos dentários, ou seja, os dentes trepados, tortos. Assim o uso dos aparelhos ortodônticos se fazem fundamentais pois irão, após correção dentária, permitir melhora na função mastigatória assim como evitar que se machuquem mordiscando as bochechas ou lábios.

Qual melhor aparelho dentário para o paciente com a síndrome de Down ?

Todos os tipos de aparelho ortodôntico podem ser utilizados, mas caso tenha indicação, os melhores são os alinhadores ortodônticos pela praticidade e simplicidade na sua mecânica.

Qual benefício no uso da toxina botulínica para o paciente com a síndrome de Down ?

O uso da toxina botulínica para o controle do bruxismo nos pacientes que inviabilizam a utilização da placa miorrelaxante pode ser muito interessante, pois irão minimizar os efeitos do hábito de ranger os dentes neste grupo de pacientes.

Ao aplicar a toxina no masseter, a tensão diminui. Assim, o tecido não tem força suficiente para promover o atrito entre os dentes, capaz de causar desgaste. A toxina bloqueia a liberação de acetilcolina, neurotransmissor que transporta mensagens entre o cérebro e as fibras musculares. Sem ordens para se movimentar, o tecido relaxa e, quando sua tensão está por trás de tormentos, eles vão embora por, pelo menos, seis meses.

A toxina botulínica começa a atuar quatro dias depois da aplicação, e sua ação diminui com o passar do tempo.

A vantagem desse recurso terapêutico é apresentar um resultado eficaz e rápido, sem quase nenhuma contraindicação. Somente os intolerantes à lactose precisam evitá-lo, pois o açúcar do leite serve como uma espécie de veículo para a droga. O profissional irá orientar a periodicidade para reaplicação e manutenção do tratamento.

Quais são os principais cuidados com a saúde bucal que o paciente com a síndrome de down precisa ter ?

Inicialmente os pais precisam respeitar a idade ideal para levar o bebê antes de completar 6 meses de vida ao profissional para uma avaliação e orientações. Assim todo paciente com down precisa de uma periodicidade média de 3 em 3 meses de retorno para consulta de manutenção e intensificação de novas orientações.

Certamente o mais importante sempre será a prevenção que são um conjunto de ações do paciente junto ao profissional para que seja evitada a instalação da doença.

Sendo assim essa é uma técnica de escovação em 5 passos simples para pacientes com síndrome de down :

1. Posicione a escova de dentes em um ângulo de 45 graus com relação aos dentes.

2. Escove delicadamente os dentes, em pequenos grupos de cada vez (em movimento circular ou elíptico) até terminar todos os dentes da boca.

3. Escove a parte da frente e detrás dos dentes, a superfície de mastigação e entre os dentes.

4. Escove a língua suavemente, do fundo para frente, para remover as bactérias e refrescar o hálito.

5. Repita os passos de 1 a 4 pelo menos três vezes ao dia. Tente escovar por dois minutos. Há escovas de dente elétricas com timer que podem ajudar nesse sentido. Inicialmente você deve escovar os dentes de seu filho mas, ao longo dos anos, ele deve passar a participar do processo. Comece permitindo que ele escove os próprios dentes enquanto você escova os seus. Seu filho ainda não vai estar dominando completamente as técnicas de escovação e, por isso, você precisa escovar os dentes dele novamente, quando ele terminar.

Quando for ao dentista, leve a escova de dentes do seu filho com você para que o profissional possa observar como ele escova os dentes. O dentista será capaz de fazer uma
demonstração de como se deve escovar os dentes e dar conselhos sobre como mudar ou melhorar a técnica de escovação.

“UM FILHO COM SÍNDROME DE DOWN NÃO NOS FAZ PADECER NO PARAÍSO E SIM ENTENDER O PARAÍSO, POIS O AMOR NÃO CONTA CROMOSSOMOS”

DR EDUARDO CASTRO – CRO 30558 – RJ